Parte 3 - (Continuação) Volúpia reanimada
Maissa Strawford era o que poderia se chamar de “garota ideal”. Na escola, sempre fora bem aplicada, e embora sua timidez propiciasse uma certa reclusa, nunca deixara de expor seus adágios e considerações da forma mais coerente possível, o que por muitas vezes fazia os professores intimidarem-se. Vira de uma família conservadora, do tipo “ditadura disfarçada”, e de modo algum, reivindicara por rebeliões. Adaptara-se àquele estilo de vida submisso, não por que fosse uma garota sem aspirações; muito pelo contrário; Na verdade, uma de suas últimas intenções seria magoar a mãe, a qual sofria de uma moléstia irreversível. Por vezes tentou pedir auxílio ao pai, que trabalhava dia e noite em um local nunca revelado, e de fato, tamanho sigilo e repressão fizeram com que Maissa acidentalmente descobrisse o refúgio diário de seu pai. O Sr. Strawford trabalhava em uma companhia de transporte, onde caixotes escuros de madeira em quantidade imensurável amontoavam-se em caminhões velhos e pequenos. Maissa nunca esqueceria a tremenda bronca que levara de seu pai aquele dia. Muito menos os hematomas taxados em seu corpo límpido. Por essas e outras razões, a garota desejava intensamente mudar de vida. Haveria esperança?
- Por favor, só por hoje à noite! – exasperava Maissa, segurando fortemente o braço da vizinha Clara, a qual havia tentado inúmeras vezes invalidar a idéia absurda que a garota insistia em manter.
- Você sabe que é perigoso Maissa. E se de repente seu pai chega? Como faço? O que digo para encobri-la? – proferiu Clara, limpando a gota que percorria sua testa. – Acho que é se arriscar muito por um garoto que você não vê há tempos. Você já pensou na hipótese de ele nem lembrar mais de você?
- Impossível. Ele nunca esqueceria de mim. Isso eu lhe garanto. E preciso de você agora mais que nunca. Faria isso por mim?
Maissa lançou seu olhar perdido e implorador – característico de sua personalidade em situações desesperadoras -, na esperança de convencer a amiga a observar sua mãe na noite em que reveria alguém muito especial. Talvez, uma das pessoas mais peculiares que havia encontrado em toda a sua vida. Mesmo que ainda contasse 18 anos.
Após inúmeras tentativas longe de alcançarem algum êxito, Clara cedeu às vontades de Maissa, a qual já se encontrava em uma arquibancada do ginásio, sentindo-se meio deslocada em meio aos corvos dançantes. Rever Joe Becker seria uma surpresa e tanto. Quando ele subiu ao palco, Maissa pode sentir seu coração tocar levemente sua garganta, e uma agonia impertinente a dominou. Era o seu Joe. E estava lindo como nunca. As mãos brancas e trêmulas de Maissa não conseguiam de modo algum encontrar o repouso. A emoção que a domava naquele instante, trazia uma série de sentimentos que há muito tempo haviam sido trancafiados, em algum local escondido dentro de seu coração. Maissa queria gritar, espernear, e desejou mais que nunca ser fluorescente, para que Joe a pudesse ver. Quando o fim do show se aproximava, um certo rapaz com o cabelo espetado se aproximou de Maissa, a fazendo recuar a ponto de quase cair.
- Sabe que você é tremendo broto? – disse o garoto, avaliando calmamente Maissa.
- Sabe que você poderia me deixar ao menos assistir ao final do show?
- Para quê assistir ao show daqui, de longe... Quando você pode assistir ao show de pertinho, mas pertinho mesmo... Topa?
- O que você está querendo dizer?
- Se você vier comigo, vai ver.
Maissa, sem pensar duas ou três vezes como faz de costume, agarrou a mão do rapaz, que a levou por uma passagem sombria, atrás da arquibancada onde estava. Quando o túnel tempestuoso mostrou seus primeiros feches de luz, a garota percebeu que se encontravam atrás do palco, em um corredor que abrigava uma ala de pequenos cômodos, sendo que um deles, destacava-se por conter uma pequena estrela vermelha adornada à porta. O rapaz bizarro abriu a passagem, e fez menção para que ela entrasse.
- O que quer dizer isso? Por que me trouxe aqui?
- Logo você verá. Peço que aguarde alguns minutos – disse o garoto, que percorreu o corpo de Maissa em um longo e desejoso devaneio.
O rapaz saiu, e Maissa dirigiu-se à porta, na tentativa de encontrar algum bebedouro de água e saciar sua sede. Ao final do corredor, havia um. Ela seguiu até lá, sorrindo ao ouvir o som abafado que provinha do palco. Esgueirou-se para a bica, e de repente, sem ter tempo para devagar o que seria, sentiu um frio intenso e cortante na espinha. Virou-se rapidamente para o lado e observou um homem de costas, vestindo um sobretudo preto, flutuando lentamente para o fim da fileira de portas. Absorveu-se de sua fantasia avaliativa, quando um grupo de três garotas entrou na sala onde há pouco ela estava. Riam demasiadamente, o que se poderia convir que estavam embriagadas até o dedão dos pés. Maissa reuniu-se a elas, que a observaram com um ar censurado. O rapaz que as havia buscado retornou, e as conduziu em direção a uma porta escura. Abriu-a lentamente, deixando que cada garota passasse por ela. Maissa foi a última a entrar, parte por que estava com dúvidas, parte por que tremia de medo. Toda aquela energia obscura que a dominava dissipou-se velozmente. Joe encontrava-se de costas, admirando-se ao espelho.
- Joe – disse Maissa timidamente.
- Não acredito! – exasperou Joe. – Maissa? Maissa? Maissa!
- Oi – proferiu Maissa, sorrindo.
Ela pulou sobre Joe, entrelaçou as pernas em seu quadril, e beijou-o ardilosamente. Joe a agarrou como um leão protegendo sua caça. Pode sentir a rigidez das pernas da bela garota, e em um devaneio instantâneo, percebeu como Maissa estava linda, longe de ser a garotinha acanhada que por muitas vezes resolvia a maioria de seus problemas com uma simples e inteligente conversa. Porém, em meio a toda aquela energia explosiva e lúbrica que brotavam de seus corpos, a última coisa que pensariam em fazer nas próximas horas, seria dialogar.

1 Comments:
simplismente MAGNIFICO!
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