Parte 4 - "Vamos sair daqui!?"
1.
- Você realmente mudou! - Joe disse, extremamente surpreso. Sempre desejará ter Maissa em seus braços. "O que a fama não faz, não é mesmo!?". Joe estava errado. Se fosse menos voltado para seu próprio mundo, poderia ter abraçado e beijado Maissa muito antes de sua fama. Mas tímido do jeito que era, e com todos seus complexos, ele nunca percebera.
- Mudei nada! Não lembra desta saia? - Realmente era a mesma saia que Maissa havia usado na ultima vez em que se encontraram, à caminho do aeroporto, quando Joe estava indo para Holanda, gravar seu primeiro CD, com profissionais de primeira linha.
- Oh! Você tem razão! - Joe então começava a se lembrar (apesar de estar ainda um pouco zonso, por causa da bebida) do tempo em que convivia com Maissa. Eram agradáveis tardes pós-colégio na qual ela ia a sua casa lhe ensinar matematica. Se lembrará tambem que ela sempre ia embora muito antes das seis da tarde. Toda afobada, ele nunca entendia, mas tudo bem. Até que um dia, quando conversavam pela primeira vez sobre relacionamentos (e algumas fofocas), ela viu no relógio que já eram 6:10. Entrerá em desespero e fora embora. No dia seguinte, ela faltou ao colégio (coisa que nunca fazia), e dois dias depois estava usando um grande e feio óculos escuros.
- Não vai me dizer que seus pais ainda te tratam.... - Joe nem precisou terminar a frase. O que ele temia se concretizou. Maissa olhou para baixo e fez levemente que sim com sua cabeça.
- Jonathan. O que mais posso fazer? Tenho medo deles.
Joe pensou em falar muitas coisas. Mas a maioria ia ser uma repetição. Quantas tardes ele já havia falado sobre isso com ela, e nunca adiantou nada. Ele poderia falar coisas novas. Dar conselhos. Pensou até em convida-lá a se juntar a equipe e fugir com ele. Mas vendo que ela abrirá um sorriso, preferiu deixar tudo de lado e beijou-a novamente. "Vou aproveitar a noite, assim como meus amigos". Mike e Ed já estavam praticamente nús (assim como suas respectivas amantes-por-um-dia) e Ethan já estava transando, ali mesmo, com a sua.
- Parece que somos os únicos aqui que estamos conversando, não é mesmo!? - Ele disse, agarrado a ela, com seus braços entrelaçados nas costas de Maissa.
- Podemos dar um jeito nisso. - Maissa riu com um ar de prazer. Nunca havia falado disso para ninguem.
2.
- Ei galera. Olha aquele cara ali, parado! Que esquisito!
- Vamos aloprar ele! O show já acabou a duas horas e ele está sosinho na porta do ginásio! - Mal sabia eles o que esse comentário poderia proporcionar para eles. Quatro garotos, típicamente de preto e cabelos grandes estavam voltando para casa, e tiveram que passar novamente por onde haviam passado a noite. - Foi um show do caralho! - exclamou um deles, com seu usual linguagear "moderno".
Encostado num poste, quase que imóvel, com o olhar fixo para a entrada do ginásio, estava um homem. "Que cara branquelo, parece até albino" pensou um deles. Um homem estranho. As duas da manhã estava usando um óculos escuro, que nem de lado dava para ver seus olhos. Vestia tambem um sobre-tudo rente ao corpo e uma bota preta, muito bem engraxada. "Mais um poser riquinho da região" constatou um outro rapaz.
- Ei cara - disse o mais alto deles. Um brutamontes, gordo e embreagado. Falou com uma voz grossa e apontou o dedo em direção ao estranho. - O show já acabou! - Todos riram incessantemente. Provavelmente o efeito da bebida.
- Malditos adolescentes. Nunca aprendem que não devem mecher com estranhos na rua!?
Todos pararam de rir. O coração de alguns deles começou a bater mais rápido. Menos o do brutamontes, que ainda soltou uma risada falsa. Por ter pelo menos o dobro de peso que o estranho, resolveu enfrenta-lô. Poderia ser uma boa historia para se contar aos amigos na segunda-feira.
- Hahaha! Você deve estar muito bêbado para falar assim comigo. Acho melhor você retirar o que disse, ou estará com problemas.- O homem nem respondeu. ficou estático. Parecia que era protegido até pelo vento, pois seu sobre-tudo nem se mexia. Após alguns segundos, o brutamontes resolveu insistir:
- Ei cara, você é surdo? Retire já o que você disse.
Nada. A mesma reação. O brutamontes olhou pra trás. Um dos amigos levantou os ombros querendo dizer "essa nem eu entendi". - Vai pra cima, gordo! - Disse o mais baixinho deles. Provavelmente um sanguinário louco por brigas, que por causa de seu tamanho nada avantajado, usava seu amigo para isso.
"Gordo" levantou os braços e foi pra cima do cara. Estava desferindo um golpe que seria capaz de ferir, e muito, um lutador de boxe. Ele era muito forte. Mas quando sua mão já estava muito perto do nariz do estranho, uma força parecia repelir o seu braço. Ele ficou estático. Poderia jurar até que seu coração estava parado. Abaixou os braços, olhou para sua mão e se preparou para um novo golpe.
- Vamos embora, gordo! Esse cara é sinistro!
Fingiu não ouvir , e dessa vez, desferiu o golpe. Mas sentirá a mesma força no seu braço, como se estivessem o puxando. O golpe praticamente não havia acertado o estranho, que estava na mesma posição: de braços cruzados, encostado no poste. O único efeito de sua fúria foi um óculos caido no chão.
O estranho então se virou. Ou melhor, virou apenas sua cabeça. Acompanhando seu movimento, todos os jovens notaram, com horror, os olhos daquele ser. Eram estranhos. Eram inteiramente vermelhos. Vermelho-sangue, para ser mais exato. No lugar de sua "bola preta", havia uma silhueta forte, como um diamente, mas tambem vermelho. Era tão forte que parecia ter luz própria. No mesmo momento, os três adolescentes começaram a correr como nunca haviam corrido na vida, em direção a casa onde iriam passar a noite. Todos menos "gordo", que parecia estar enfeitiçado.
O estranho somente se abaixou, desencostando do poste, pegou seus óculos e o colocou novamente. Virou-se rapidamente, movimento esse que fez seu sobre tudo se levantar, fazendo o tipo de uma onda, e começou a andar ao encontro da densa vegetação que fazia parte do colégio, e desaparecerá na escuridão.
Tudo que havia sobrado era um enorme corpo, ajoelhado. Com, o olhar fixo na escuridão. Timpanos estourados e muito sangue, providos da orelha, nos ombros e coxas. O corpo então cambaleou para frente. Tudo que se pode ouvir foi um enorme barulho. Naqueles enrormes pulmões, não entravam mais ar.
3.
Após aquele maravilhoso reencontro, Joe considerava Maissa muito mais que uma "amante pós show". Não queria transar com ela como seus amigos estavam fazendo, naquele momento, sem pudores. Queria uma coisa mais particular. Pensou nisso e somente pode falar uma coisa.
- Vamos sair daqui? Posso arranjar um carro.
- Claro - Os dois se entreolharam e deixaram escapar um sorriso. Joe não precisou nem de dois minutos para ter um molho de chaves em mãos, e os dois começaram a andar em direção a saída, escoltados por um segurança mau encarado. Quando chegaram no carro, Joe fez questão de abrir a porta para Maissa. "Quem diria que no fundo desse ser havia alguem tão cavalheiro". Ela pensou, já dentro do carro. O motor foi acionado, e o carro agora se encontrava em movimento. Maissa pensou em Clara, a amiga que havia deixado quando foi chamada ppara entrar no camarote.
- Ah! Ela sabe o caminho de casa!.
- Ham!? O que você quis dizer com isso? - Joe disse
- Nada, Joey, nada. - Soltou um olhar malicioso e colocou a mão esquerda encima da perna dele.
- Odeio esse nome. Simplimente odeio.

1 Comments:
NO WORDS!WOW
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