Parte 6 - Corpos desaparecem
Um homem alto. Alto o bastante para chegar a metade da alta pilastra que segurava o teto daquele último andar. Vestia um sobre-tudo preto colado no corpo, uma bota de exército de cor igualmente fúnebre e óculos negros como a noite. Essa a visão que Maissa teve, depois de dar um carinhoso beijo em Joe.
- Parceiro, se eu fosse você, eu dava o fora.
- Calma Joe! - interceptou Maissa, com seu jeito cativante - É apenas algum maluco da cidade. Deixa pra lá.
No mesmo momento, Jonathan engatou a marcha e acelerou com tudo aquele lindo carro. Maissa pensava que ele estava agressivo e queria partir pra cima do tal estranho.
- Eu já vi esse babaca no meu show hoje a noite! - ele colocou uma ênfase naquele pronome possessivo que parecia que ele tinha tocado todos instrumentos sosinho. - Ele deve estar me provocando, não sei porque!
O medo que Maissa sentira passou. Joe não estava indo em direção ao estranho, e sim para o lado oposto. O carro então desceu as rampas circulares com uma velocidade muito acima da permitida. Quando chegou ao nível da rua, Joe acelerou bruscamente o carro, fazendo com que sua potência levantasse uma imensa nuvem branca Joe só teve tempo de olhar no retrovisor e ver aquele ser macabro, com olhos vermelho-sangue, dentre a nuvem densa de fumaça.
- Mas que diabos!? - Ele indagou. - Como pode ser tão rapido?
Maissa tentou olhar no retrovisor, olhou para trás, mechendo a cabeça de um lado para o outro, mas nada pode ver. Apenas a mesma nuvem. Acho que Joe bebeu muito mais do que eu pensei. Por um momento essa triste constatação poderia ser valida. Se fosse isso, era apenas ela tomar o volante que tudo ficaria bem. Mas Joe havia apenas bebido um copo de vodka no camarim, e nem tinha tragado naquele baseado. Joe suava muito para aquelas condições climáticas em que se encontravam. Maissa estava ficando realmente preocupada. Ele estava atônito, olhando para todos os cantos da rua. Estava muito ofegante e a cada cruzamento de vias, ele acelerava mais o carro.
- Calma, Joey! Vá com calma! - Num sopro de desespero, aquele apelido fez efeito sobre a mente perturbada de Joe. Ele olhara pro lado e abriu um sorriso, enquanto diminuia as marchas do carro.
- Desculpe. Acho que vi coisas.
- Tudo bem. Mas não corra, por favor. - Mesmo com o carro em movimento, ele se inclinou pro lado dela e seus lábios se tocaram gentilmente. Joe voltou com os animos redobrados para a direção. Mas do outro lado da rua, encostado no poste, estava alguem muito branco. Ajustando as vistas, fazendo força com os olhos, Joe pode ver: era o mesmo cara.
Não pensou duas vezes, acelerou o carro como nunca e seguiu reto. Maissa não parava de berrar do seu lado, mas ele não conseguia prestar atenção nela. Estava confuso. Decidiu então fazer uma conversão a esquerda. Olhou para a direita, para ver se nenhum carro estava vindo, e, acreditem ou não, lá estava, em pé, a mesma figura horripilante. Joe não podia acreditar, Ele apenas berrava a cada aparição daquela "coisa". Maissa não entendia. Pois ela não via nada (ou não queria ver).
- MEU DEUS - Joe berrava - O QUE ELE QUER DE MIM?
- calma Joe! CALMA! - Todos afagos e tentativas eram em vão. Joe estava indo tão rapido que o potente motor estava dando sinais de cansaço. A cada esquina, a figura se repetia, como se ele se teletransportasse, ou fosse alguma brincadeira de mau gosto. O cerébro de Joe entrara em colapso. Imagens daquele dia estavam rodando sua cabeça. Desde a imagem de Ed o acordando, ao reencontro com maissa. Essas lembranças só foram cortadas quando Joe ouviu um forte grito:
- CUIDADO JONATHAN! CUIDADO!.
Tarde demais. O carro havia atropelado alguma coisa. Essa coisa ainda havia batido no teto e rolado pela traseira, até se encontrar com o asfalto gelado. Joe recuperou a consciência na hora e colocou todo o volante para esquerda, enquanto pisava no freio. A cabeça de Maissa bateu na porta, com força. Parada total.
- De..de...de...me deculpe! Oh, meu deus, me desculpe! Você está bem? - o desespero dele era notável.
- Acho que sim. Só estou confusa. - A voz de Maissa estava mole, fraca. - No que será que batemos?
- Não faço idéia. Vou olhar.
Joe abriu a porta do carro, ainda meio zonso. Olhou para o lado e viu que o motor estava soltando muita fumaça. Droga. nem é meu carro! Foi andando lentamente ao meio da rua, onde estava um corpo. O corpo vestia preto, totalmente. Desde suas botas a um sobre-tudo colado no corpo, e um óculos, a alguns metro do corpo, todo quebrado.
- Meu deus! É o mesmo cara! É o mesmo estranho! Como isso? - Neste momento, ele colocou suas duas mãos na cabeça, em sinal de desespero. Pensou que ele podia estar morto, e se dar muito mal por isso. Deu mais uma olhadela no corpo o notou que a pele branca estava ficando roxa. Estava morto, com certeza. Olhou para trás, e viu que Maissa estava dentro do carro, com a mão na boca. A batida deve ter sido forte. Ela está toda tonta, coitada. Não tinham mais o que fazer, a não ser constatar o estado do atropelado.
Joe se curvou em frente ao corpo, perplexo, com uma mão no rosto e a outra segurando seu enorme cabelo. Parou por segundos, pensando no que ele faria caso fosse acusado de homicídio. Tomou coragem e girou o corpo. Pois os dedos em sua jugular e apenas aconteceu o que ele temia: Não havia o menor sinal de pulso. Lágrimas correram pela bochecha branca de Joe. Ele olhou pra baixo, em sinal de desespero, e olhou para trás, para ver se Maissa tinha saido do carro. Mas algo estranho aconteceu.
Quando ele voltou a olhar o corpo, teve uma surpresa.
- Mas.. mas como isso!?
No lugar do corpo, estava apenas um sobre-tudo preto, impecável. Parecia estar passado. Logo abaixo, havia um par de botas deitadas no chão, e mais pra frente havia um par de óculos, intácto, com a lente novinha, e limpa. O corpo parecia ter desaparcido. Aquilo era muito pra pobre cabeça drogada de Joe. Como um corpo desaparece tão rapido?
- IMPOSSIVEL! - ele gritou, mas após segundos de reflexões, ele constatou: sem corpo, sem crime.
Rapidamente ele se levantou e correu para o carro.
- Maissa. não batemos em nada, não tem nada lá atrás. - Achando que ele estava mentindo, Maissa olhou pelo retrovisor pra ver se tinha alguma coisa. Conseguiu ver algo que pareciam botas, só isso.
-Atropelei um par de botas! - disse Joe rindo da própria ignorância, tentando amenizar o clima dele com ela, afinal, ele fora o culpado dela ter batido a cabeça na porta.
- Vou te levar pro hospital, Má! - Ela fez que sim com a cabeça, e eles começou a andar lentamente pela rua deserta.
Decidiu olhar pelo retrovidor para ter certeza que o corpo não estava lá. E não estava. Estava totalmente aliviado, tão à vontade que resolveu olhar no espelho para ver sua aparência. Não podia chegar com sinais de drogas ou bebidas em um hospital
Joe virou totalmente o espelinho superior do carro, enquanto Maissa estava de olhos fechados ao seu lado. Ele notou que sua aparência estava condinzente à ocasião. Mas algo mudará. Seu olhar, que era tenro e "gentil", agora estava agressivo. Mais do que isso. Reluzia uma cor forte. Vermelho-sangue, para ser mais exato.

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