Parte 9 - Um baque lento e surdo
Joe examinou-se novamente no espelho, na tentativa de convencer sua mente de que tudo aquilo não passava de um distúrbio emocional. Procurava remeter a culpa à quantidade de baseados que havia fumado, ou até mesmo aos rios etílicos que havia ingerido. No centro de suas indagações, algo lhe dizia que estava errado, e que a possibilidade mais remota ou mesmo absurda não deveria ser revogada...
Fixou o olhar no espelho, e paralisou-se, assistindo seus olhos enrubescerem em segundos.
- Não posso acreditar!- exclamou Joe, borrando o espelho na tentativa de livrar-se da sujeira que havia acabado de fazer. Estava contemplando a sua visão retorcida no espelho que agora se encontrava estilhaçado. Maissa, atenta ao estardalhaço, clamou por Rita, que subia as escadas com uma chave na mão.
- Tome isso, querida. Esta chave abre a porta do banheiro. A tenho de reserva no caso de uma eventualidade – exasperou a mãe de Joe, consternada.
- Obrigada – disse Maissa, aflita.
Maissa encaixou a chave grossa na fechadura, e sem ao menos girar a chave, a porta abriu-se mansamente.
- Desculpem.
- Joe, o que aconteceu com você! Sua testa está sangrando! Vamos logo fazer um curativo nisso meu filho!
Maissa encontrava-se presa à parede do corredor em frente ao banheiro como se fosse o quadro às suas costas. Não conseguia se mover. Suas pernas adormeceram instantaneamente ao presenciar a cena a sua frente. Refletiu aturdida, levou a mão à boca, limpou a lágrima que brotava do canto do olho esquerdo e com o maior assombro possível, dirigiu a mão esquerda a Joe.
- Venha aqui.
Joe deferiu um passo curto, cabisbaixo. Ainda não tivera coragem suficiente de direcionar o olhar a Maissa. Ela não poderia vê-lo daquele jeito. Se ele não entedia o por quê, como explicaria a ela?
- Maissa, não, por favor – proferiu Joe.
O momento nebuloso esmaeceu-se quando Rita apareceu, segurando uma pá de lixo em suas mãos forradas com uma luva plástica. Estendeu à garota uma bolsa com suprimentos de primeiros - socorros.
- Maissa, por favor, leve Joe para o quarto que eu cuido disso tudo.
- Tudo bem, Sra. Rita.
Maissa segurou o braço nu de Joe, e conduziu-o ao quarto. Enquanto percorriam o corredor, nenhuma palavra ousou ser discorrida. Joe ainda cabisbaixo sentou-se na cama, como se toda a gravidade conspirasse contra sua nuca. Maissa ergueu o rosto de Joe suavemente, afastando o maço de cabelos ensopado de sangue. Caminhou até o banheiro e umedeceu o pano que se encontrava na bolsa de primeiros – socorros. Retornou ao lado de Joe, que insistia em manter os olhos fechados, - ora por vergonha, ora por medo – e passou o pano suavemente pelo corte na testa.
- Ai! – exclamou Maissa, na tentativa de quebrar o ar gélido que permeava. – Me avise quando doer.
Joe continuava calado. Sentia uma imensa vontade de gritar, e uma fúria incessante o dominava, como se estivesse com as mãos atadas sendo apunhalado lentamente, sem nenhuma chance de reagir. Tudo estava confuso. Estava mais que confuso, e sim absurdo. Embora tudo estivesse ocorrendo particularmente com ele, Joe não encontrava um possível discernimento, muito menos uma remota solução. Tinha a leve sensação de que veria aqueles olhos azuis – antes tão vivos e vigorosos, naquele instante eram como as águas turvas do oceano, sem definição – pela última vez.
- Tem algo que você queira me contar Joe? – indagou Maissa, calmamente, abrindo um pacote de gases.
- Eu não sei o que está acontecendo. Estou me sentindo estranho.
- Olhe pra mim agora, Joe.
Joe relutou ao máximo fixar os olhos na garota. De algum modo, sentia que podia prejudica-la, e isso o injuriava.
- Joe, olhe pra mim, por favor!- gritou Maissa, desesperada. – O que está acontecendo? Assim não posso aplicar o curativo!
Joe suspendeu a cabeça lentamente. Maissa riu baixinho.
- Está bem, agora abra os olhos.
Joe pôde sentir os lábios quentes de Maissa tocando os seus. Naquele instante, uma terrível vontade de chorar o assolara. Engoliu em seco diversas vezes. Abriu os olhos lentamente, com a intenção de contemplar aquele momento, e compartilhar seu ardor com a garota. Encontrou os olhos de Maissa.
- AAHH!- Maissa berrou. Levou as mãos à cabeça e caiu, em um baque lento e surdo.
Fixou o olhar no espelho, e paralisou-se, assistindo seus olhos enrubescerem em segundos.
- Não posso acreditar!- exclamou Joe, borrando o espelho na tentativa de livrar-se da sujeira que havia acabado de fazer. Estava contemplando a sua visão retorcida no espelho que agora se encontrava estilhaçado. Maissa, atenta ao estardalhaço, clamou por Rita, que subia as escadas com uma chave na mão.
- Tome isso, querida. Esta chave abre a porta do banheiro. A tenho de reserva no caso de uma eventualidade – exasperou a mãe de Joe, consternada.
- Obrigada – disse Maissa, aflita.
Maissa encaixou a chave grossa na fechadura, e sem ao menos girar a chave, a porta abriu-se mansamente.
- Desculpem.
- Joe, o que aconteceu com você! Sua testa está sangrando! Vamos logo fazer um curativo nisso meu filho!
Maissa encontrava-se presa à parede do corredor em frente ao banheiro como se fosse o quadro às suas costas. Não conseguia se mover. Suas pernas adormeceram instantaneamente ao presenciar a cena a sua frente. Refletiu aturdida, levou a mão à boca, limpou a lágrima que brotava do canto do olho esquerdo e com o maior assombro possível, dirigiu a mão esquerda a Joe.
- Venha aqui.
Joe deferiu um passo curto, cabisbaixo. Ainda não tivera coragem suficiente de direcionar o olhar a Maissa. Ela não poderia vê-lo daquele jeito. Se ele não entedia o por quê, como explicaria a ela?
- Maissa, não, por favor – proferiu Joe.
O momento nebuloso esmaeceu-se quando Rita apareceu, segurando uma pá de lixo em suas mãos forradas com uma luva plástica. Estendeu à garota uma bolsa com suprimentos de primeiros - socorros.
- Maissa, por favor, leve Joe para o quarto que eu cuido disso tudo.
- Tudo bem, Sra. Rita.
Maissa segurou o braço nu de Joe, e conduziu-o ao quarto. Enquanto percorriam o corredor, nenhuma palavra ousou ser discorrida. Joe ainda cabisbaixo sentou-se na cama, como se toda a gravidade conspirasse contra sua nuca. Maissa ergueu o rosto de Joe suavemente, afastando o maço de cabelos ensopado de sangue. Caminhou até o banheiro e umedeceu o pano que se encontrava na bolsa de primeiros – socorros. Retornou ao lado de Joe, que insistia em manter os olhos fechados, - ora por vergonha, ora por medo – e passou o pano suavemente pelo corte na testa.
- Ai! – exclamou Maissa, na tentativa de quebrar o ar gélido que permeava. – Me avise quando doer.
Joe continuava calado. Sentia uma imensa vontade de gritar, e uma fúria incessante o dominava, como se estivesse com as mãos atadas sendo apunhalado lentamente, sem nenhuma chance de reagir. Tudo estava confuso. Estava mais que confuso, e sim absurdo. Embora tudo estivesse ocorrendo particularmente com ele, Joe não encontrava um possível discernimento, muito menos uma remota solução. Tinha a leve sensação de que veria aqueles olhos azuis – antes tão vivos e vigorosos, naquele instante eram como as águas turvas do oceano, sem definição – pela última vez.
- Tem algo que você queira me contar Joe? – indagou Maissa, calmamente, abrindo um pacote de gases.
- Eu não sei o que está acontecendo. Estou me sentindo estranho.
- Olhe pra mim agora, Joe.
Joe relutou ao máximo fixar os olhos na garota. De algum modo, sentia que podia prejudica-la, e isso o injuriava.
- Joe, olhe pra mim, por favor!- gritou Maissa, desesperada. – O que está acontecendo? Assim não posso aplicar o curativo!
Joe suspendeu a cabeça lentamente. Maissa riu baixinho.
- Está bem, agora abra os olhos.
Joe pôde sentir os lábios quentes de Maissa tocando os seus. Naquele instante, uma terrível vontade de chorar o assolara. Engoliu em seco diversas vezes. Abriu os olhos lentamente, com a intenção de contemplar aquele momento, e compartilhar seu ardor com a garota. Encontrou os olhos de Maissa.
- AAHH!- Maissa berrou. Levou as mãos à cabeça e caiu, em um baque lento e surdo.

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